junho 28, 2011

Blog # 897

Numa entrevista ao ‘Financial Times’, Philip Roth revela que, a determinada altura, deixou de ler ficção. “Não leio nenhuma ficção. Leio outras coisas: história, biografia. Não tenho pela ficção o mesmo interesse de antigamente.” A jornalista quis saber como é que isso aconteceu, e Roth deu uma resposta ainda mais enigmática: “Não sei. Fui ficando mais ajuizado...” Esta má relação dos ficcionistas com a ficção não é estranha nem é uma ameaça para a arte do romance. José Cardoso Pires, por exemplo, não lia ficção enquanto escrevia – o argumento era o “receio da contaminação” ou da “influência”, mas havia mais: evitar a tentação do “circuito fechado”, do ensimesmamento da arte de contar histórias. Isto é, a literatura deve procurar a sua matéria longe da literatura.

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No número de pessoas extraordinárias estará certamente Jorge Calado. O Instituto Superior Técnico acaba de sair ‘Haja Luz! Uma história da química através de tudo’, festejando o Ano da Química e fazendo o elogio da curiosidade.

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FRASES

"Nunca vivi nos EUA e os filmes americanos que fiz surgiram na Europa.
Maria de Medeiros, ontem, no CM.

“Há pessoas que parecem ter mais talento para serem pessoas do que outras.
Nuno Costa Santos, no blogue Melancómico

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