outubro 16, 2010

São uns ases

Volto ao assunto, porque ele merece. Viram o foguetório lançado por vários exércitos depois do jogo do FC Porto em Guimarães? «Será desta», perguntava a pátria, exangue e saltitando, «que o FC Porto vai entrar em declínio?» Sinceramente, uma pessoa fica comovida com o interesse – um empate à sétima jornada, e com uma vantagem apreciável, e logo nos manifestam esses cuidados extremos? Percebe-se: afinal, estão em guerra, decretam excomunhões contra os adeptos que vão ver futebol (o que me parece, vá lá, um belo exemplo às gerações vindouras) aos campos dos adversários, excitam-se com um empate, mostram as enxúndias da alma por quase nada.

O problema é que, envolvida nos assuntos do futebol-futebol (aquele que, de facto, se joga nos relvados – onde os adeptos estão proibidos de ir, sob risco de excomunhão), está uma galáxia de interesses comerciais, bancários, subdesportivos além de um gigantesco défice que precisa de vitórias, pontos, transacções e epopeia. Trata-se de uma guerra surda, que teve no triste «episódio do túnel» um dos seus mais altos momentos, com a «partidarização» dos órgãos da assim chamada «justiça desportiva». Pressionada, essa «justiça» opera maravilhas; uma delas é a promessa de avaliar a arbitragem lá para a 15.º jornada, caso o campeonato esteja ameaçado, imagino. Trata-se de uma soberba inovação metodológica. Uma decisão muito supimpa. Quando chegarmos lá, uma comissão de sábios, servidos por técnicos de vídeo (espero que sejam melhores do que os «do túnel»), há-de aparecer nas televisões, gesticulando muito, puxando os colarinhos e arrebatando os punhos, pedindo o linchamento de todos os suspeitos, que nomeiam desde há anos. Esta implacável tropa justiceira, apoiada por inúmeros ficheiros do YouTube, está a fazer história. Podem não ir aos estádios (onde os adeptos estão proibidos de ir, sob risco de excomunhão), mas, caramba, são uns ases da tv.

PS – Por falar em tv, fica pública a minha solidariedade com Rui Moreira (que acabou por ser dispensado por um miserável fax).

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